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Infraestruturas de Transporte e Mobilização Estratégica na Amazônia Oriental: Alavanca do Desenvolvimento e Segurança Nacionais

1 INTRODUÇÃO

A Amazônia, com sua dimensão continental e complexidade geopolítica, constitui o maior espaço natural do Brasil, abrangendo cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados e se estendendo por nove países sulamericanos, com a maior porção localizada em território nacional. Essa região é um verdadeiro tesouro natural, abrigando biodiversidade incomparável e detendo a maior rede hidrográfica do planeta, incluindo o Rio Amazonas, o mais volumoso do mundo, e o Aquífero Alter do Chão. A geopolítica brasileira, conforme Castro (1998), enfatiza essa dimensão, destacando a enorme importância e quantidade de água doce da região. A Amazônia também possui vastos recursos estratégicos, como reservas de terras raras, riquezas minerais, e o potencial petrolífero da Margem Equatorial (Amapá), que intensificam a cobiça internacional e geram tensões geopolíticas. Neste cenário de elevado potencial econômico e vulnerabilidade, a Amazônia Oriental, que engloba os estados do Maranhão, Pará e Amapá, assume relevância estratégica singular. Essa porção territorial voltada para o Atlântico funciona como o principal corredor logístico para o escoamento de commodities e como a sentinela da soberania nacional na Foz do Rio Amazonas. Contudo, a região enfrenta desafios complexos, como o avanço do desmatamento, a exploração ilegal de recursos naturais, o garimpo e a grilagem de terras. Adicionalmente, a precária rede de infraestrutura local dificulta a proteção ambiental, o desenvolvimento sustentável e, crucialmente, a projeção efetiva da presença do Estado e das Forças Armadas (FA). Essa inquietação se reflete diretamente nos planejamentos e nas ações estratégicas da Defesa Nacional, conforme destaca o então professor da Escola Superior de Guerra, Gustavo Abreu, em seu livro Amazônia: o Enigma da Segurança. O Manual de Campanha C 20-10: Logística Militar Terrestre, do Exército Brasileiro (Brasil, 2014), por exemplo, afirma que a carência de vias de transporte terrestre e a baixa densidade demográfica são desafios latentes na logística da Amazônia. As Forças Armadas sempre estiveram presentes nesse bioma, contribuindo para mitigar os óbices naturais, como vegetação, hidrografia e poucas vias de transporte, no desempenho das funções estatais de defesa e desenvolvimento. A vulnerabilidade logística, a cobiça internacional, a necessidade de proteger nossos recursos naturais e garantir a integração territorial reforçam a importância de um planejamento estratégico eficaz. A soberania se alcança, também, por meio da Mobilização Nacional (Lei nº 11.631/2007), que articula recursos para garantir que o poder do Estado permaneça inalterado em regiões estratégicas, sendo o preparo da Mobilização desenvolvido de modo contínuo, metódico e permanente desde o tempo de paz (Brasil, 2007; Brasil, 2022). As observações seguintes baseiam-se na premissa fundamental de que o investimento coordenado em infraestrutura logística (portos, rodovias, ferrovias e hidrovias) constitui fator decisivo para o fortalecimento da soberania, a presença do Estado e a dissuasão de ameaças. Tais investimentos devem possuir vertente dual, sendo planejados para, simultaneamente, potencializar o desenvolvimento socioeconômico regional, ampliar a capacidade dissuasória e contribuir para a pronta resposta das Forças Armadas, como comentado no estudo de Peixoto (2025). É essencial que esse planejamento ocorra de forma conjunta e coordenada entre os diversos entes governamentais e de defesa, em consonância com o trinômio indissociável defesa, desenvolvimento e segurança. Este artigo está dividido em cinco partes. Inicialmente, é apresentada esta introdução que ressalta a relevância da Amazônia para o Estado brasileiro. Em seguida se desdobra uma seção tratando de fundamentos teóricos: defesa, desenvolvimento e infraestrutura. Já na terceira seção nos debruçaremos sobre infraestruturas estratégicas na Amazônia Oriental. Na quarta seção do artigo veremos a importância da finalidade dual e o impulso ao desenvolvimento. Uma derradeira seção apresenta as considerações finais do artigo.

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