A Situação dos Idosos Brasileiros
Nos anos de 1920, um famoso jornal maranhense intitulado “A Pacotilha”, estampava a seguinte manchete na capa: “Uma idosa de 42 anos foi atropelada por um bonde em São Luís”. De lá para cá muita coisa mudou em relação a situação e ao conceito de idoso no Brasil. Nesse artigo abordaremos e analisaremos os principais avanços e conquistas dos idosos, bem como as principais dificuldades que eles enfrentam hoje.
Em relação a qualidade de vida, houve muitos avanços, a começar pela expectativa de vida que nos anos 1960 era em torno dos 50 anos e hoje está na casa dos 76 anos. O idoso hoje pode permanecer ativo no mercado de trabalho, já não há tanto preconceito em relação a contratação da mão de obra idosa, eles instruem os mais jovens e é uma convivência muito agradável e enriquecedora. O condicionamento físico é bem melhor. Faço um convite ao leitor para buscar no google uma foto da seleção brasileira de futebol de 1982. Os jogadores estavam na casa dos 20 a 35 anos já pareciam bem mais velhos, olha que se tratava de atletas. Hoje pessoas de 50 anos são consideradas jovens. Isso se deu pela difusão de exercícios físicos, avanços na medicina, alimentação e na tecnologia, os serviços no passado eram mais manuais e desgastantes. As mulheres hoje já não dão à luz a tantos filhos e tem toda uma indústria de cosméticos e tratamentos para manter a aparência jovem.
O idoso tem vida sexual ativa, as mulheres recorrem a reposição hormonal para atingir a esse objetivo. Para os homens há medicamentos e exercícios que ajudam nesse sentido, podemos citar o ator Al Pacino que aos 83 anos se tornou pai, paternidade comprovada por exame de DNA. Na parte legal temos o Estatuto do Idoso que proporcionou avanços na proteção do idoso. Antes dele um filho só poderia perder a herança se atentasse contra a vida do seu pai. Hoje ele pode perder se o pai for vítima de maus-tratos, abandono, humilhação... Temos delegacias especializadas para o idoso. Poderíamos citar outros benefícios, porém o leitor deve estar perguntando: quais são as dificuldades e os principais desafios dos idosos hoje em nossa nação? Citaremos aquelas que talvez o leitor desconheça.
A família como provedora de cuidados ao idoso está em crise, nas famílias pobres o idoso fica muito tempo só ou com crianças onde ele é o cuidador e nas famílias com poder aquisitivo maior terceiriza-se o cuidado sem a presença dos familiares. Algumas famílias agrupam vários idosos em uma casa , “ as tias”, para reduzir os custos e facilitar a supervisão , afinal manter o pagamento de profissionais em três jornadas são elevados . Nos dias atuais, a convivência do idoso integrado na família está alterado. As Jornadas de trabalho dos filhos longe das residências e netos na escola em tempo prolongado não permitem encontros durante as refeições, mesmo que residam na mesma casa.
Para o idoso a família é o bem mais precioso e se ele é arrimo financeiro entrega todo seu dinheiro para suprir as necessidades dos familiares. Se vive só é negligenciado como sujeito de direito. Os registros de violência contra a pessoa idosa são crescentes. Segundo dados da Ouvidoria do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania nos primeiros 5 meses de 2023 - disque 100 – O Brasil contabilizou 37.441 casos de negligência, 19.987 casos de abandono, e 129.501 casos de violência Física, Psicológica e Financeira; houve avanços em todas as modalidades de 2022 para 2023, mas a maior incidência é do abandono, cujo crescimento foi de 855%. Esses dados alertam para a necessidade de uma política pública para os Direitos da Pessoa idosa, mais educativa e menos punitiva; que auxilie a família para garantir atenção direcionada ao cuidado sem perda de autonomia; que difunda hábitos saudáveis de alimentação e mobilidade, promovendo a desenvoltura nas atividades diárias; que promova campanhas para fomentar a corresponsabilidade social na vigilância e prevenção dos abusos praticados, por qualquer pessoa, contra os idosos.
Para concluir, a situação do idoso será de dignidade no Brasil quando a sociedade for de fato educada no âmbito moral, para que o espírito de altruísmo e humanidade impere em nossos corações. Também sabemos que não basta a boa-fé para operar essa mudança, a nossa legislação em defesa do idoso vem contribuindo para o bem-estar do idoso. Legislação esta, que pode ser aprimorada no futuro. O respeito ao idoso é o respeito a toda a faixa-etária, é o respeito à vida humana! Amemos os nossos idosos!
Adriano Pinheiro
Professor de História
Emília Maria Pinheiro Lopes
Pedagoga
Publicado em “O Imparcial” em: 05-01-24
