Brasil, 526 anos: O Orgulho de ser Brasileiro
Adriano Pinheiro
Professor de História
Em 22 de abril de 1500, marca-se a data oficial do "nascimento" da nossa nação. Segundo outras fontes históricas, pesquisadores revelam que o navegador português Duarte Pacheco teria chegado ao que hoje é o Pará em 1498; contudo, não pôde alardear o feito, visto que, pelo Tratado de Tordesilhas, essa parte do território pertencia à Espanha e as duas potências navais eram rivais. Assim, Portugal enviou a missão oficial de Pedro Álvares Cabral em 1500, cujas caravelas atracaram em Porto Seguro, na Bahia.
É importante notar que os europeus encontraram aqui outros povos — os que hoje denominamos povos originários — de várias etnias que habitavam o Brasil, ou melhor, Pindorama. Alguns livros didáticos ainda têm o pedantismo de afirmar quantos indígenas habitavam o território na época. No entanto, pesquisas na Torre do Tombo revelam que não se sabe sequer quantas pessoas havia dentro da caravela de Cabral. Quem seria o "IBGE" que contou os nativos naquele tempo? Nosso primeiro censo oficial ocorreu apenas em 1872; portanto, qualquer estimativa anterior é incerta.
Passados esses 526 anos, devemos nos orgulhar de sermos brasileiros? Creio que sim. O Brasil possui cerca de 60% de área de mata nativa, riquezas minerais, terras raras, vastas reservas de petróleo, solo fértil e um agronegócio pujante. Temos um clima tropical, praias paradisíacas e tantas outras riquezas que seria necessário um livro para detalhá-las. Além disso, somos poupados de desastres naturais como terremotos, tornados e vulcões na intensidade vista em outros países. No que tange à cultura, nossa arte — expressa no Carnaval, nas festas folclóricas, na culinária e na música — possui uma diversidade única no mundo.
Nosso povo demonstra uma resiliência que desafia a lógica. Nos anos 1980, o economista e Nobel Milton Friedman visitou o Brasil em meio à hiperinflação. Para os mais jovens, que não vivenciaram isso, vale lembrar que os cardápios dos restaurantes não tinham preços fixos: o valor do almoço era diferente do jantar (quase sempre mais caro). Segundo economistas, a hiperinflação ocorre quando os preços sobem mais de 50% ao mês; Friedman acreditava que nenhum povo suportaria viver com a inflação brasileira, que chegou a bater 100% mensal. Ao chegar a Salvador, porém, ele se deparou com as baianas rindo e cantando, equilibrando latas de água na cabeça e vendendo seus acarajés.
O brasileiro faz piada da própria desgraça e, em vez de recorrer à violência extrema em locais públicos, como ocorre em certos países, mantém-se acolhedor. Na Rua 25 de Março, em São Paulo, árabes e judeus mantêm seus comércios e trabalham em harmonia. Além disso, o Brasil é o segundo país em filantropia, atrás apenas dos EUA — que, além de ser a nação mais rica, possui uma legislação que favorece doações com abatimentos de impostos.
Por outro lado, infelizmente, ainda amargamos índices de desenvolvimento humano insatisfatórios e muitas injustiças. Pesquisas indicam que o brasileiro é o povo que mais fala mal de si mesmo; na Copa do Mundo, os que mais torcem contra a Seleção, depois dos argentinos, são os próprios brasileiros. Nunca ganhamos um Nobel — não por falta de gênios, mas, por vezes, pela sabotagem de compatriotas que enviam cartas ao Comitê do prêmio protestando contra os indicados da própria terra.
Como reverter essa situação? Não existem soluções simples para problemas complexos. Em minha opinião, não bastam novas leis; se leis mudassem a realidade por si só, seríamos a Finlândia. Eu trocaria a criação de novas normas pelo investimento e fortalecimento da educação, das polícias e do Judiciário. Afinal, para que servem as leis se não há estrutura para executá-las?
Por fim, o brasileiro precisa fazer um exame de consciência. É preciso abandonar o hábito de querer levar vantagem sobre o semelhante e entender que a mudança começa no indivíduo. Como diria o presidente Ronald Reagan: "O governo não é a solução, o governo é parte do problema". Nenhum governo transformará uma nação se o povo não fizer a sua parte.
Para finalizar, deixo os versos de Nizan Guanaes: "Já pensou se eu nascesse no frio / Já pensou se eu nascesse sem samba / Já pensou se eu nascesse sem sol / Nascesse sem bola, sem Copacabana / Já pensou se eu nascesse sem mar / Nascesse sem rio ou sem a Bahia / Já pensou se eu nascesse sem cor / Sem esse sorriso e essa alegria / Já pensou se não fosse essa graça / Não fosse essa raça, o que seria? / Já pensou se não fosse essa garra / E essa coragem, essa energia / Já pensou se não fosse essa fé / Da força que é, o que seria? / Já pensou, esse país inteiro... / Que o melhor do Brasil é o povo brasileiro."
