O processo de produção de um livro
“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia e um morto que vive”.
Padre Antônio Vieira
Este artigo resolvi fazer motivado pela pergunta de um aluno do ensino fundamental, que, ao saber que sou escritor, me questionou como a gente deveria fazer para publicar um livro. Bem, não pude responder tudo naquele momento a ele, e para isso vou usar aqui esse espaço. Gostaria de frisar que este texto é com base na minha experiência de escritor e pesquisador; certamente, há outras orientações que escapam do meu conhecimento. O primeiro ensinamento nesse sentido foi da minha professora de português do ensino médio, Deuza Sampaio: “Para ser um bom escritor, tem que ser um bom leitor”.
Dando sequência, creio que o escritor deva escolher um tema interessante para ele e para os leitores. Para ele, é porque fazemos melhor o que sentimos prazer, e para o leitor, é porque o livro não é somente o fruto da pesquisa ou da criatividade de um autor, ele é também um produto a ser vendido.
Os gêneros literários são os mais diversos: romances, ficção, poesia, ensaios, contos… escreva o que lhe dá mais prazer e o que você domina.
Bem, um dos passos importantes para o livro nascer e não morrer na gaveta é a edição. Eu conheço três formas:
1. Uma editora pode se interessar e bancar a publicação. Nesse caso, dependendo, do contrato, o autor tem direito a alguns exemplares e ganha uma comissão em torno de 5% por cada livro vendido.
2. O escritor pode se inscrever em editais do Governo para que sua obra concorra com várias e talvez seja publicada; nesse caso, o órgão governamental fica com em torno de 10 ou 20 exemplares e dá o restante para o autor. Geralmente, o total é de aproximadamente 400 exemplares.
3. Por fim, é quando o autor banca os custos por conta própria. Esse foi o meu caso: não dava para fazer uma obra volumosa, pois fica contraproducente. Quanto mais exemplares a editora faz, mais o preço cai. Eu não teria condição de mandar publicar mil exemplares para ter lucro em cada unidade, e também não teria para quem vender tantos livros. Por isso, minhas obras são mais enxutas, em média 90 páginas, para que eu possa vender a um preço que dê pelo menos o retorno do que foi investido.
Entre as etapas de produção temos, depois que o livro é digitado no Word, a diagramação, que é transformar para o formato editorial; o ISBN (Número Padrão Internacional de Livros), que é como se fosse o RG do livro; a escolha da capa, onde a editora dá várias opções para escolher; e o registro de direitos autorais, que aqui é feito através da Biblioteca Benedito Leite, a qual envia para a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. O escritor leva uma cópia da obra, documentos pessoais de identificação (RG e CPF), comprovante de residência e paga uma taxa. Ele pode ser recebido pelo Correio ou pelo e-mail.
Bem, agora vem o lançamento. A divulgação pode ser feita pelas redes sociais, YouTube ou pela imprensa. Nesse caso, tem-se que pagar pela divulgação. O local de lançamento pode ser conseguido emprestado, mas atente que, se for dessa maneira, você não tem direito de reclamar caso algo dê errado, visto que não pagou. O local pago que considero mais viável é no shopping, pois lá há estacionamento e as pessoas aproveitam para resolver outras coisas. Fiz lá meus dois últimos lançamentos, em uma livraria no shopping. O pagamento é uma porcentagem das vendas que varia de acordo com cada livraria.
Sobre o retorno da publicação, o meu público se divide em quatro categorias:
1. Aqueles que gostam de ler e nos prestigiam comprando o livro.
2. Aqueles que não gostam de ler e nos prestigiam comprando o livro.
3. Aqueles que têm intimidade conosco e não compram o nosso livro.
4. Aqueles que não têm intimidade conosco e compram o nosso livro pelo conteúdo.
Bem, para finalizar, todos sabemos que o Brasil não é um país de leitores, mas, segundo algumas professoras de português, o interesse pela leitura aumentou um pouco, de acordo com pesquisas, devido às redes sociais, o que leva os internautas a buscar o livro físico.
Vamos tentar ler mais, pois a leitura, além de trazer conhecimento, faz bem à saúde.
Adriano Pinheiro
Professor de História
Publicado em “O Imparcial” em 18-9-2025
