O FUTURO DO LIVRO FÍSICO
Hoje, diante de tantas tecnologias – tablets, notebooks, e-books, etc. – é comum ouvir o seguinte questionamento: “o livro físico vai acabar?”. Analisaremos nas linhas abaixo essa questão.
Começaremos pela origem do livro. Para os pesquisadores, o ancestral do livro remonta aos textos escritos em papiro, no Egito antigo, datando de cerca de 3.000 a. C. Os escribas eram responsáveis pela produção e leitura desses textos. Geralmente tratava-se de documentos oficiais e religiosos. As folhas eram coladas umas nas outras, formando um rolo. No século II a. C., em Pérgamo, uma cidade da Grécia, surgiu o pergaminho, que era a escrita sobre peles de animais, material mais resistente e que podia ser reutilizado. Porém, tanto o papiro quanto o pergaminho eram caros e isso impossibilitava a difusão literária em larga escala.
Qual teria sido, então, o primeiro livro da humanidade? Essa é uma pergunta para a qual ainda não temos uma resposta precisa. Alguns pesquisadores mencionam que o primeiro livro surgiu na Mesopotâmia, entre os sumérios, por volta de 3.200 a. C., escrito em tabletes de argila. Os temas abordados eram leis, assuntos administrativos e religiosos, bem como lendas e poemas locais. Outros apontam o I Ching (O livro das mutações), na China, como o primeiro livro do mundo, datado de cerca de 3.000 anos, trata-se de um oráculo chinês usado para consultas.
A grande revolução que conduziu ao surgimento do livro moderno foi a invenção da imprensa em 1456, na Alemanha, por Johannes Gutemberg. Ele criou uma máquina tipográfica com caracteres móveis, tinta e óleo, que possibilitou a impressão de textos e livros. O primeiro livro impresso tipograficamente foi a Bíblia.
Bem, passados mais de 500 anos da invenção da imprensa, para onde vai o livro? É muito difícil ter o dom de adivinhar o futuro, porém os profissionais da História podem analisar o passado, coletar dados do presente e fazer projeções para o futuro. O livro virtual tem algumas amarras. Precisa de bateria, energia elétrica, às vezes internet. O livro físico é mais livre, não precisa dessas coisas e, se cair no chão, não quebra. Pesquisas desenvolvidas em universidades renomadas na Europa chegaram à conclusão de que se aprende com mais rapidez no livro impresso. A exposição por um tempo prolongado à luminosidade das telas de tablets e notebooks pode causar danos à vista e ao cérebro. Os ecologistas podem protestar contra o desmatamento para produção de livros de papel. Porém, na Europa, há mais de 100 anos existe a política de que, para cada árvore derrubada, tem-se que plantar três. No Brasil, tenho notícia de lei de reflorestamento em São Paulo no final da década de 1930, no governo Adhemar de Barros. Hoje isso é uma realidade no mundo todo. E coincidentemente a Alemanha, berço da imprensa, é que está hoje na vanguarda do reflorestamento mundial.
Vale lembrar que as baterias dos aparelhos eletrônicos que alimentam os livros virtuais causam muito mais danos ambientais do que a produção de livros impressos. Estes não estão atrelados, hoje, a uma faixa etária: tenho alunos entre 16 e 17 anos de idade que preferem os impressos. Afirmar que no futuro ninguém mais vai querer o livro físico seria o mesmo que dizer que no futuro ninguém mais vai gostar de azul, só do amarelo. O livro físico é uma questão de preferência.
Um outro dado interessante é que, no Brasil, o livro é um produto caro: a maioria dos consumidores de livros hoje em nosso país tem um bom poder aquisitivo e, é lógico, tem acesso ao livro virtual. Para encerrar, gostaria de fazer uma citação do padre Antônio Vieira: “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia e um morto que vive”. Viva o livro!
Adriano Pinheiro
Professor de História
Publicado no jornal “O Imparcial” em 22-08-2023
