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O primeiro e único brasileiro a ganhar uma estrela na calçada da fama

Antes de revelar e discorrer sobre esse talentoso brasileiro, convém explicar ao leitor o que é a “Calçada da Fama”. Trata-se de um trecho da cidade de Los Angeles, com cerca de mais de 2 km de extensão, que se estende pela Hollywood Boulevard e pela Vine Street. Quanto ao ano de criação, as fontes divergem entre 1953, 1958 e 1960. Sua finalidade é homenagear os grandes astros, divididos em categorias: contribuição à indústria cinematográfica, à indústria televisiva, ao mundo da música, à indústria do rádio e à indústria teatral. Embora a atriz Joanne Woodward seja frequentemente apontada como a primeira celebridade a receber uma estrela na Calçada da Fama, muitos especialistas em cinema afirmam que não houve exatamente uma “primeira estrela”, pois várias celebridades foram homenageadas simultaneamente na inauguração do local.

Bem, sem mais delongas, vamos ao nosso homenageado. Quem foi esse primeiro brasileiro? Tom Jobim? Chico Buarque? Wagner Moura? Lima Duarte? Tony Ramos? Se você pensou em algum desses nomes, está redondamente enganado. Foi Paulinho da Costa!

Mas quem é Paulinho da Costa? De cada dez brasileiros, onze provavelmente não o conhecem. Contudo, o leitor certamente já ouviu o trabalho dele, ainda que sem saber. Trata-se de um percussionista extraordinário, que trabalhou com astros como Michael Jackson, Madonna, Earth, Wind & Fire, Elton John, Ella Fitzgerald e Diana Krall, entre muitos outros.

Na verdade, o brasileiro raramente teve o hábito de ler as fichas técnicas dos discos. Eu mesmo não tinha esse costume. Passei a desenvolvê-lo quando comecei a apreciar jazz e, então, deparei-me com o nome de Paulinho da Costa no álbum Ella abraça Jobim, da cantora estadunidense Ella Fitzgerald. Também tocou com a cantora e pianista canadense Diana Krall, um dos grandes nomes do jazz contemporâneo.

A contribuição do músico brasileiro acrescentou ainda mais swing e animação ao jazz. Desde o violão de João Gilberto, nos anos 1960, os músicos brasileiros vêm enriquecendo profundamente esse gênero musical. O segundo fator que explica o anonimato de Paulinho da Costa perante o grande público brasileiro é o fato de a imprensa mundial valorizar mais quem está ao microfone. Os cantores costumam ser tratados como os grandes astros, enquanto os instrumentistas permanecem quase sempre nos bastidores, principalmente os percussionistas.

Sobre a origem de Paulinho da Costa, ele é carioca, de família humilde, negro e nascido em 1948, e portelense de coração. Iniciou sua carreira tocando com a cantora Alcione, no final dos anos 1960. Ao se apresentar com o músico Sérgio Mendes nos Estados Unidos, conseguiu radicar-se naquele país, já nos anos 1970.

Vale informar ao leitor que Sérgio Mendes foi um músico e arranjador brasileiro de jazz e bossa nova extremamente respeitado no exterior. Foi ele quem abriu portas para Paulinho da Costa tocar com grandes astros do jazz. Posteriormente, porém, Paulinho passou a trabalhar também com nomes consagrados da música pop, contexto em que sua performance se tornou ainda mais conhecida. Participou, por exemplo, de La Isla Bonita, de Madonna; de September, da banda Earth, Wind & Fire; e do álbum Thriller, de Michael Jackson, no qual tocou cuíca em Wanna Be Startin “Somethin” e utilizou uma cabaça metálica e um agogô em Billie Jean.

Esse é Paulinho da Costa: um músico brasileiro que conquistou respeito nos Estados Unidos e no mundo graças à sua dedicação, esforço e talento. O Brasil precisa valorizar mais seus músicos talentosos, para que não tenham a necessidade de buscar reconhecimento no mercado exterior.

Para quem quiser conhecer melhor a trajetória desse artista genial, fica a sugestão do documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, lançado recentemente na Netflix.

Parabéns a Paulinho da Costa. Como ele próprio declarou ao receber a homenagem, sua conquista foi também uma vitória do Brasil.

 

 

 

Adriano Pinheiro

Professor de História

 

Publicado No Jornal “O Imparcial” Em 19-5-2026