Futebol Brasileiro: Apogeu e Declínio
“Se Esparta e Roma pereceram, qual nação não perecerá”?
Jean-Jacques Rousseau
Tudo nesse mundo é transitório. Nenhuma nação será potência para sempre. O mesmo acontece nos esportes. É uma lei da e natureza. Neste artigo vamos tratar do futebol brasileiro, que já teve o seu momento de apogeu e glória e hoje se encontra em declínio. Vamos nos limitar a analisar a Seleção Brasileira, devido o tema ser muito abrangente.
A ascensão do nosso futebol começa em 1946, e quando o Brasil foi escolhido para ser sede da Copa de 1950, já tínhamos jogadores de alta qualidade técnica, e ali naquele ano já estávamos confiantes na conquista do campeonato. A derrota da nossa Seleção na final dessa Copa para o Uruguai foi considerada uma “zebra”, nós éramos os francos favoritos. Jogamos bem e os nossos jogadores não saíram vaiados do Maracanã. Tínhamos um elenco de bons jogadores, como: Bauer. Augusto, Friaça, Ademir, Zizinho... e no banco craques que se notabilizariam no futuro como Nilton Santos. Na Copa seguinte o elenco foi desfeito, sobrando poucos jogadores, até a cor do uniforme dos jogadores mudou, devido ao trauma da derrota na final de 1950, entrou a “amarelinha” no lugar da camisa branca. Nessa Copa não fizemos feio, mas fomos eliminados por uma Seleção poderosa que estava dando show naquele Mundial: A Hungria. Perdemos de 4 a 2 para eles na 2ª fase, com dois gols dos húngaros em posições duvidosas.
A Copa de 1958 foi a nossa consagração, uma seleção de craques como: Zagallo, Bellini, Garrincha, Gilmar, Didi e a estreia do nosso “Rei” Pelé, com 17 anos. Vencemos a Copa da Suécia e como escreveu o cronista Nelson Rodrigues - “Perdemos o complexo de vira-lata”. Depois tivemos o bicampeonato no Chile em 1962, no qual brilhou a estrela de Garrincha que jogou a final contra a Tchecoslováquia com 38 graus de febre. Na Copa da Inglaterra em 1966, O Brasil de Garrincha e Pelé foi eliminado na 1ª fase, com Pelé lesionado, o que impactou de certa forma no moral do time. Em 1970 tivemos a escalação da que foi considerada a melhor Seleção Brasileira e uma das melhores do mundo. O esquadrão de Ouro, que contava com nomes como: Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Gérson, Rivellino, Tostão, Brito, Clodoaldo e Pelé. Conquistamos o Tricampeonato. Foi a estreia do técnico Zagallo em nossa Seleção como técnico, e ele se tornaria o primeiro futebolista a ter sido campeão como jogador e técnico em um Mundial.
Nos Mundiais que se seguiram na década de 1970 e 1980, embora o Brasil não tenha levado o título, era uma seleção muito respeitada no exterior, respeitada talvez seja eufemismo, era mesmo temida. Em entrevista o ex goleiro da Seleção Leão afirmou que os jogadores holandeses, olhavam assustados para os atletas brasileiros. E olha que a Holanda era um senhor time sendo duas vezes vice-campeã nas Copas de 1974 e 1978. Em 1978 ficamos com o 3º lugar, sendo considerado pelo nosso técnico Cláudio Coutinho “campeões morais”, pois não perdemos nenhum jogo, naquela época o torneio não tinha o “mata-mata” entre as fases.
Em 1982, foi a vez da seleção Canarinho disputar na Espanha, considerada pelos torcedores e críticos, como a que apresentou o futebol mais bonito de todos os tempos, embora tenha sido eliminada na 2ª fase de grupos. Foi o futebol arte de craques como: “Falcão, Zico, Sócrates, Cerezo, Júnior, Roberto Dinamite, Leandro, Serginho...
Nos anos de 1990 o Brasil se mantém como uma das seleções favoritas nas Copas, mas já não dá mais os shows que dava no passado. O tetracampeonato nos EUA em 1994, foi sofrido e teve uma das mais feias finais de Copas, vencemos com um erro na cobrança de pênalti do nosso adversário. O vice-campeonato na França em 1998, revelou um “calcanhar de Aquiles” dos nossos jogadores: toda vez que o nosso craque principal sofria um problema de saúde ou ficava machucado abalava todo o moral da equipe; foi o caso do ocorrido com Ronaldo Fenômeno, e isso ocorreu no passado e se repete sempre. É muito difícil o Brasil vencer de virada. Seria um trabalho para o psicólogo da equipe. Em 2002 na Copa da Coreia e do Japão foi a última grande performance da nossa Seleção, tínhamos um grande elenco, destaque para o competente técnico Luís Felipe Scolari e a magia de Ronaldinho Gaúcho. De lá para cá o Brasil não tem mais um esquadrão de ouro. O futebol mundial se profissionalizou, evoluiu o nível dos nossos concorrentes e o Brasil não acompanhou essa evolução. Até temos jogadores bons, agora equipes boas é que nos faz falta. A nossa Seleção está cada vez mais estrangeira. Os craques atuam nos clubes de fora e na época das eliminatórias se reúnem para jogar, falta entrosamento e espírito de união. Ficamos à mercê de craques isolados que quando falham, levam todo elenco ladeira abaixo. Em suma o nosso declínio no futebol está relacionado a qualidade dos nossos adversários e aos nossos desarranjos internos.
Adriano Pinheiro
Professor de História
Publicado em “O Imparcial” em 27-04-24
